|
 |
|
| Sétima
Arte |
por
Francisco Russo |
Garfield
para Crianças
Personagem chega às telas com mais agilidade e menos
acidez
Uma das
principais fontes de Hollywood para produzir novos filmes
são adaptações de personagens famosos
de outras mídias. Um exemplo é a grande quantidade
de séries de TV e desenhos animados que foi adaptada
para o cinema, como Missão
Impossível e Scooby-Doo.
A moda do momento é levar às telas personagens
dos quadrinhos, como Garfield. O personagem, mundialmente
conhecido, fez fama em tiras de quadrinhos publicadas até
hoje em vários jornais mundo afora. O anúncio
da produção de um longa-metragem protagonizado
pelo personagem gerou uma certa expectativa, especialmente
em sua vasta legião de fãs.
Infelizmente
o Garfield do cinema não é exatamente o Garfield
dos quadrinhos. O personagem, que se notabilizou pelo humor
ácido que possuía para analisar o mundo à
sua volta, passou por uma espécie de, digamos, infantilização.
O lado egocêntrico e as críticas típicas
de Garfield, um gato preguiçoso que adora lasanha e
passa boa parte de seu tempo vendo TV, estão presentes,
mas de forma bastante atenuada. O motivo? Torná-lo
acessível para o público infantil, principal
alvo do longa-metragem.
Este é
o principal problema de Garfield:
trata-se de um filme claramente voltado ao público
infantil, que alterou o modo de agir do personagem para adequá-lo
ao seu público-alvo. Apesar dos quadrinhos também
interessarem às crianças, o que fez a fama de
Garfield foi principalmente o olhar adulto que possuía,
seja através de comentários do personagem ou
de suas próprias atitudes. No filme estas
características foram bastante minimizadas, tornando
o personagem que aparece nas telas uma mera lembrança
do que ele é nos quadrinhos.
Deixando
de lado as comparações entre o Garfield dos
quadrinhos e do cinema, o que resta é provavelmente
o filme mais infantil a estrear este ano. Garfield
é mais um filme protagonizado por animais, como tantos
outros lançados todo ano, de forma a fazer com que
o público mirim se divirta com as peripécias
dos protagonistas em uma aventura simples de ser compreendida.
A principal diferença entre Garfield
e filmes como Um
Cão do Outro Mundo ou Spot
- Um Cão da Pesada é que agora o protagonista
não existe, sendo criado digitalmente.
A criação
digital de Garfield possui altos e baixos, facilmente
percebidos durante o filme. Um ponto positivo é a interação
de Garfield com os animais que existem realmente, como o cachorro
Oddie. As cenas em que eles se tocam são muito bem
feitas, em especial uma em que Oddie deita a cabeça
sobre Garfield. Entretanto, o inverso ocorre nas cenas em
que Garfield e seres humanos interagem. Nas cenas em que é
carregado no colo, por exemplo, as falhas são bastante
nítidas.
Vale ressaltar
também a curtíssima duração de
Garfield,
que não alcança nem mesmo uma hora e meia. O
que, se por um lado pode irritar pelo alto custo dos ingressos
nas salas de cinema brasileiras, por outro evita que a história
fique cansativa. Para o público infantil Garfield
até diverte, mas para o público adulto fica
uma boa sensação de decepção. |
|
| |
|
| |
| |
| |
|
|
 |