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Sétima Arte
por Francisco Russo

Diversão Tridimensional
Novo modelo traz 3D de melhor qualidade em "A Família do Futuro"


A tecnologia 3D está perto de completar 100 anos de existência. O 1º filme a usá-la data de 1922, "The Power of Love", ainda da época do cinema mudo. O modelo apenas se popularizou na década de 50, especialmente graças a filmes de terror como Museu de Cera e "It Came From Outer Space". Mais recentemente o público brasileiro teve a oportunidade de conferir dois filmes deste formato, Pequenos Espiões 3 e As Aventuras de Sharkboy e Lavagirl. Em todos estes casos sempre se adotou o mesmo modelo: a distribuição do tradicional óculos de papel, com uma lente azul e outra vermelha, que permitia que os espectadores vissem os personagens "saindo" da tela. Inclusive para muitos estes óculos servem de recordação, como uma espécie de souvenir desta experiência diferente que o cinema proporciona. Pois o novo modelo em três dimensões, que estréia com A Família do Futuro, é algo de deixar qualquer cinéfilo extasiado.

O lançamento da versão 3D de A Família do Futuro ocorre em apenas duas salas: o UCI Kinoplex, no Rio de Janeiro, e o Cinemark Eldorado, em São Paulo. São as únicas que, hoje, possuem as exigências técnicas para sua exibição. No caso do UCI Kinoplex, onde ocorreu a sessão de imprensa no Rio, isto significa um moderno projetor digital e uma tela altamente reflexiva, feita com material especial para proporcionar ao espectador uma melhor visualização do formato 3D. Além disto o tradicional óculos foi substituído por um novo, sem lentes coloridas e que precisa ser devolvido ao término da sessão.

Deixando de lado a questão técnica, a melhoria na qualidade das imagens tridimensionais é nítida ao espectador. O modelo antigo possibilitava que em certas cenas os personagens "saíssem" da tela, mas também pecava pela falta de nitidez em torno do próprio personagem. Isto não ocorre no novo modelo, onde é possível inclusive perceber as camadas dimensionais na própria história, algo até então impensável. Logo de início há a apresentação do robô do filme, que salta da tela para mostrar a qualidade do sistema 3D. Em seguida vem um curta-metragem, de 1953, estrelado pelo Pato Donald e pela dupla Tico e Teco, que também foi adaptado para o novo formato. A chuva de amendoins e a sensação da história em camadas são momentos a saborear. Apenas após estes aperitivos é que, enfim, começa A Família do Futuro.

Feito em animação computadorizada, A Família do Futuro é um marco na longa história de filmes de animação da Disney por ser o 1º produzido após a compra da Pixar. Em termos práticos, isto significa que é o 1º a ser produzido sob o comando de John Lasseter, diretor de Toy Story e Carros e atual responsável pelo setor de animação da empresa. Uma mudança que pode ser notada pelo ritmo ágil da história e seus personagens, que lembram algumas características de Os Incríveis. Mas, independente de comparações, A Família do Futuro diverte. Trata-se da melhor animação produzida pela Disney, sem a presença da Pixar, desde o divertidíssimo A Nova Onda do Imperador, de 2000.

Já a história segue bem o padrão Disney, com mocinhos e bandidos bem definidos e uma lição embutida - neste caso, que não se deve desistir de seus sonhos. O grande destaque é o vilão, o Bandido do Chapéu Coco. Lembrando visualmente o clássico Dick Vigarista, do desenho "Corrida Maluca", o personagem surpreende pela sua divisão em dois e pela história de Dóris, o chapéu coco. Outro destaque é a própria família Robinson, pelo seu jeito amalucado de ser.

A Família do Futuro é um bom filme, que alia a qualidade técnica de sua animação ao entretenimento. Mas, em sua versão em 3D, torna-se um programa imperdível pelo que oferece a mais ao espectador. Para todos aqueles que já apreciavam a sensação de estar em uma sala de cinema, agora há mais um motivo: versão em 3D não tem como ser lançada em DVD ou exibida na TV. É apenas no cinema. Quem puder, veja.

 
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