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Sétima Arte
por Francisco Russo

De Volta para a Terra
"E.T." retorna aos cinemas ainda em grande forma

Existem filmes que, sem sombra de dúvidas, marcam nossa infância. Para mim um deles foi "E.T.", que assisti pela primeira vez quando tinha apenas 9 anos. Lembro muito bem que na época torcia fervosamente para que um dia fizessem uma continuação, naquela ânsia de ver seu personagem favorito em uma nova aventura. "E.T. 2" nunca veio e hoje, mais velho, agradeço por isto.

Agradeço porque existem filmes que não precisam de uma sequência para se auto-afirmarem na história do cinema, e "E.T." com certeza é um deles. Trata-se de um dos maiores fenômenos do cinema hollywoodiano em matéria de público, que catapultou ainda mais o diretor Steven Spielberg ao hall dos grandes diretores da história. Trata-se de uma linda história de amizade, entre um garoto humano que ainda sente a falta do pai, recentemente separado de sua mãe, com um ser alienígena que ficou preso na Terra por acaso e apenas quer voltar para o seu lar. Trata-se de um filme mágico, que tem uma das cenas mais famosas da história do cinema: a passagem da bicicleta voadora em frente à Lua. Trata-se, enfim, de um clássico que merece ser louvado.

Foi por todos estes fatores, e ainda minhas lembranças de quando assisti ao filme pela primeira vez, que vibrei quando soube que "E.T." seria relançado nos cinemas, como parte das comemorações de seu 20º aniversário. Nem tanto pelas novas cenas que ficaram de fora da versão original, mas pela oportunidade única de poder conferir "E.T." em uma sala de cinema. Sim, porque há uma diferença gritante entre ver um filme na TV, por mais polegadas que ela tenha, e assisti-lo em uma sala de cinema, dividindo com às vezes centenas de desconhecidos as mesmas emoções e usufruindo do que há de melhor em matéria de projeção de filmes. Por diversas vezes senti na pele esta diferença ao rever algum filme na TV, mas passei a ter certeza absoluta das vantagens de assistir a um filme no cinema quando revi "Guerra nas Estrelas", um filme que apesar de já ter visto diversas vezes em vídeo ou na própria TV aberta simplesmente me pareceu algo inédito e com novas emoções quando foi exibido novamente nos cinemas. Era justamente isto que esperava da reexibição de "E.T.".

É claro que, passados 20 anos, pode-se perceber diversos detalhes técnicos que seriam melhorados caso o filme fosse feito nos dias de hoje. O próprio E.T., em diversos momentos, deixa bem claro que é apenas um boneco, enquanto que se fosse criado atualmente com certeza seria um ser digital, assim como foi Jar Jar Binks e como será Scooby-Doo. Por outro lado, os anos não conseguiram envelhecer o que há de mais importante em "E.T.": a magia. Mesmo quem já conhece a história ou já viu o filme anteriormente não deixa de sentir um arrepio quando Elliott e E.T. voam pela floresta pela 1ª vez ou ainda na sequência final do filme, absolutamente emocionante.

A emoção, ou melhor, o excesso da emoção é ainda a causa de alguns protestos contra "E.T.". Como se pôde perceber também em seus filmes posteriores, Spielberg é um grande manipulador de emoções e este atributo lhe rendeu vários desafetos ao longo da carreira. Em "E.T." realmente Spielberg se mostra extremamente manipulador com os sentimentos do seu público, mas sempre com emoções sinceras, envolventes e em momento algum exageradas, auxiliado sempre pelo roteiro e pelo carisma de seus atores mirins, em especial Henry Thomas e a ainda pequena Drew Barrymore. E foi justamente ao mesclar a magia, a emoção, o roteiro, uma direção inspirada e o carisma das crianças que nasceu "E.T., o Extra-terrestre", um clássico que ainda hoje, 20 anos após seu lançamento, emociona a quem se deixa levar pela sua história.
 
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