De
Volta para a Terra
"E.T."
retorna aos cinemas ainda em grande forma
Existem
filmes que, sem sombra de dúvidas, marcam nossa infância.
Para mim um deles foi "E.T.", que assisti
pela primeira vez quando tinha apenas 9 anos. Lembro muito
bem que na época torcia fervosamente para que um dia
fizessem uma continuação, naquela ânsia
de ver seu personagem favorito em uma nova aventura. "E.T.
2" nunca veio e hoje, mais velho, agradeço
por isto.
Agradeço porque existem filmes que não precisam
de uma sequência para se auto-afirmarem na história
do cinema, e "E.T." com certeza é
um deles. Trata-se de um dos maiores fenômenos do cinema
hollywoodiano em matéria de público, que catapultou
ainda mais o diretor Steven Spielberg ao hall dos grandes
diretores da história. Trata-se de uma linda história
de amizade, entre um garoto humano que ainda sente a falta
do pai, recentemente separado de sua mãe, com um ser
alienígena que ficou preso na Terra por acaso e apenas
quer voltar para o seu lar. Trata-se de um filme mágico,
que tem uma das cenas mais famosas da história do cinema:
a passagem da bicicleta voadora em frente à Lua. Trata-se,
enfim, de um clássico que merece ser louvado.
Foi por todos estes fatores, e ainda minhas lembranças
de quando assisti ao filme pela primeira vez, que vibrei quando
soube que "E.T." seria relançado nos
cinemas, como parte das comemorações de seu
20º aniversário. Nem tanto pelas novas cenas que
ficaram de fora da versão original, mas pela oportunidade
única de poder conferir "E.T." em
uma sala de cinema. Sim, porque há uma diferença
gritante entre ver um filme na TV, por mais polegadas que
ela tenha, e assisti-lo em uma sala de cinema, dividindo com
às vezes centenas de desconhecidos as mesmas emoções
e usufruindo do que há de melhor em matéria
de projeção de filmes. Por diversas vezes senti
na pele esta diferença ao rever algum filme na TV,
mas passei a ter certeza absoluta das vantagens de assistir
a um filme no cinema quando revi "Guerra nas Estrelas",
um filme que apesar de já ter visto diversas vezes
em vídeo ou na própria TV aberta simplesmente
me pareceu algo inédito e com novas emoções
quando foi exibido novamente nos cinemas. Era justamente isto
que esperava da reexibição de "E.T.".
É claro que, passados 20 anos, pode-se perceber diversos
detalhes técnicos que seriam melhorados caso o filme
fosse feito nos dias de hoje. O próprio E.T.,
em diversos momentos, deixa bem claro que é apenas
um boneco, enquanto que se fosse criado atualmente com certeza
seria um ser digital, assim como foi Jar Jar Binks
e como será Scooby-Doo. Por outro lado, os anos
não conseguiram envelhecer o que há de mais
importante em "E.T.": a magia. Mesmo quem
já conhece a história ou já viu o filme
anteriormente não deixa de sentir um arrepio quando
Elliott e E.T. voam pela floresta pela 1ª
vez ou ainda na sequência final do filme, absolutamente
emocionante.
A emoção, ou melhor, o excesso da emoção
é ainda a causa de alguns protestos contra "E.T.".
Como se pôde perceber também em seus filmes posteriores,
Spielberg é um grande manipulador de emoções
e este atributo lhe rendeu vários desafetos ao longo
da carreira. Em "E.T." realmente Spielberg
se mostra extremamente manipulador com os sentimentos do seu
público, mas sempre com emoções sinceras,
envolventes e em momento algum exageradas, auxiliado sempre
pelo roteiro e pelo carisma de seus atores mirins, em especial
Henry Thomas e a ainda pequena Drew Barrymore.
E foi justamente ao mesclar a magia, a emoção,
o roteiro, uma direção inspirada e o carisma
das crianças que nasceu "E.T., o Extra-terrestre",
um clássico que ainda hoje, 20 anos após seu
lançamento, emociona a quem se deixa levar pela sua
história.
|