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| Sétima
Arte |
por
Francisco Russo |
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Documentários
em Alta
Boa
fase do cinema nacional não fica apenas nos filmes
de ficção
As quatro
indicações ao Oscar recebidas por Cidade
de Deus consagraram a atual fase do cinema brasileiro,
que conseguiu novamente atrair o público às
salas de cinema. Para se ter uma idéia do atual momento
vivido, três filmes nacionais aparecem na lista dos
10 maiores públicos dos cinemas brasileiros em 2003:
Carandiru
(4º), Lisbela
e o Prisioneiro (7º) e Os
Normais - O Filme (8º). Entretanto, existe uma faceta
do sucesso do cinema nacional que passa longe dos milhões
de espectadores mas que, ainda assim, vem lotando as salas
de cinema: os documentários.
Não é de hoje que os documentários brasileiros
vêm fazendo sucesso. Santo
Forte e Edifício
Master, ambos de Eduardo
Coutinho; Ônibus
174, de José Padilha; "Nós Que Aqui
Estamos Por Vós Esperamos", de Marcelo Masagão;
Janela
da Alma, de Walter Carvalho e João Jardim; Nelson
Freire, de João Moreira Salles; e Paulinho
da Viola - Meu Tempo é Hoje, de Izabel Jaguaribe,
são exemplos de filmes que fizeram sucesso nas salas
de cinema. A principal diferença do sucesso obtido
pelos documentários em relação ao dos
filmes de ficção é que o circuito exibidor
dos documentários é muito menor. Quase sempre
restritos ao circuito de arte, o sucesso representa aos documentários
um público em torno de 100 mil pessoas, muito aquém
dos 4 milhões de espectadores de Carandiru,
por exemplo. Com menos salas para ser exibido, outra característica
do sucesso de um documentário é sua longa permanência
em cartaz, muitas vezes durando até mesmo meses.
A situação tem se repetido em 2004. O primeiro
documentário brasileiro a chegar ao circuito foi Rio
de Jano, em fevereiro. O filme é na verdade uma
espécie de making of do álbum criado pelo cartunista
francês Jano para retratar a cidade do Rio de Janeiro.
Entretanto, quem imaginar ao ler esta descrição
um documentário didático sobre o assunto receberá
uma bela surpresa. O filme consegue captar nuances não
só das belezas naturais da cidade como principalmente
do modo de viver dos cariocas, tornando-se uma espécie
de "manual da cidade". Virtudes e defeitos, belezas
e problemas, todos eles são captados pelos traços
de Jano, que explica sua visão para o que vê
e sente da cidade. O maior sintoma de seu sucesso nas salas
se dá pelo fato de que, mesmo tendo estreado há
dois meses, o filme permanece em cartaz no Rio de Janeiro.
O segundo documentário foi Glauber,
o Filme - Labirinto do Brasil. Disposto a ser uma cinebiografia
de Glauber
Rocha, o filme trouxe como trunfo as inéditas cenas
do enterro do diretor baiano, que até então
estavam proibidas de ser exibidas. A inclusão de tais
imagens foi fruto de uma longa negociação entre
o diretor Sílvio Tendler e a família de Glauber,
que apenas as liberou 18 anos após a morte do diretor.
Além das inéditas cenas o filme traça
um panorama da vida de Glauber, mostrando através de
entrevistas um pouco da personalidade do diretor e também
apresentando pequenas explicações sobre a produção
de cada um de seus filmes. Um documentário interessante
de ser assistido, especialmente para quem deseja conhecer
um pouco mais daquele que é até hoje considerado
como o maior diretor brasileiro de todos os tempos.
O terceiro documentário a chegar às telas foi
Raízes
do Brasil, que marca ainda o reencontro do diretor Nélson
Pereira dos Santos com os longa-metragens. O filme é
uma cinebiografia de Sérgio Buarque de Hollanda, autor
dos livros "Raízes do Brasil" e "Visões
do Paraíso". A novidade fica por conta da divisão
do filme em duas partes, ambas com 74 minutos de duração,
e que também divide o panorama cronológico da
vida de Sérgio Buarque com o modo de ser do homenageado.
Apesar de exaltado pela crítica especializada, o filme
não tem se saído tão bem nos cinemas.
Sua longa duração, quase três horas, tem
espantado os espectadores.
Ainda para este ano mais três documentários nacionais
estarão chegando às salas de cinema. O primeiro
deles é Fala
Tu, vencedor do prêmio de melhor documentário
pelo voto popular no último Festival do Rio, que estréia
já no dia 2 de abril. O segundo é "Pelé
Eterno", que promete resgatar imagens raras e até
mesmo inéditas do maior jogador de futebol de todos
os tempos. O filme, por estar ligado à paixão
brasileira que é o futebol, promete fazer sucesso e
estréia no dia 27 de abril. O terceiro é o aclamado
O
Prisioneiro da Grade de Ferro, vencedor da edição
2003 do Festival É Tudo Verdade e que narra a vida
no presídio do Carandiru vista e filmada pelos próprios
detentos. O filme ainda não tem data de estréia
marcada, devendo ser lançado entre maio e agosto deste
ano.
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