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Sétima Arte
por Francisco Russo

Tristeza e Esperança
A solidão de Jack Nicholson em "As Confissões de Schmidt"

Existem filmes que conseguem mexer com o seu estado de espírito pelo simples tema que enfocam, de tão sufocantes que são. Alguns exemplos recentes desta categoria são A Outra História Americana, Os Últimos Passos de um Homem e Réquiem para um Sonho. Tratando de temas pesados, como o nazismo, a pena de morte e as drogas, é impossível assisti-los sem alterar o ânimo ou ao menos perder algum tempo refletindo os temas ali propostos após o término de sua exibição. Particularmente, costumo chamá-los de "filmes depressivos". Importantes por tocar de forma tão profunda em assuntos delicados e ao mesmo tempo influir de forma tão direta no estado emocional de quem o assiste.

As Confissões de Schmidt se enquadra na minha categoria de "filmes depressivos". Nele conhecemos Warren Schmidt, um homem de 66 anos que está prestes a se aposentar de seu emprego em uma seguradora, onde trabalhou por décadas. Schmidt é casado e tem uma filha, que mora em outra cidade e vê apenas ocasionalmente. Ela está prestes a se casar, sendo que Schmidt desaprova o futuro genro por não considerá-lo à altura de sua filha. Este é seu universo no início da história.

Schmidt tem problemas para se adaptar à nova vida de aposentado. Sente-se desprezado por sua antiga empresa, a qual dedicou tantos anos de sua vida. Em casa a situação não é das melhores: ele não reconhece mais a mulher com quem se casou e muito menos consegue compreender o porquê de ter se casado com ela. Tudo o irrita e o aborrece, a vida é enfadonha. Até que algo chama sua atenção: um comercial de TV sobre patrocínio mensal a crianças pobres. Schmidt resolve aderir ao programa e adota um menino de 5 anos, Ngubu, que vive na Tanzania.

A partir de então a vida de Schmidt sofre uma série de contratempos. Sua esposa morre, inesperadamente, e ele precisa reaprender a viver sozinho. Sua filha, apesar de seus constantes apelos, está decidida a se casar e não o quer por perto. Seus planos de abrir uma empresa fracassaram anos atrás. Schmidt se vê só, sem ninguém a apoiá-lo e ninguém com quem compartilhar sua própria vida. É quando inicia um relacionamento através de cartas com o jovem Ngubu, que lhe serve como uma verdadeira terapia e faz com que possa reanalisar sua vida.

As Confissões de Schmidt é um filme, acima de tudo, triste. Um reflexo da própria situação de seu protagonista, que está em busca de provar a si mesmo que sua vida não é um completo fracasso. Ao mostrar a solidão e os conflitos internos de Schmidt, o próprio espectador se vê envolto neste clima e também vê seu estado emocional ser alterado. Durante pouco mais de duas horas acompanhamos a luta de Schmidt em superar seus problemas de forma sempre otimista, buscando ver o lado bom de cada acontecimento que a vida lhe reserva, mas sempre, no fundo, surge a verdade. Uma verdade que por vezes é dolorosa, mas que se transforma em um sopro de esperança.

Este é As Confissões de Schmidt. Um filme acima de tudo humano, que enfoca assuntos como solidão, velhice e relacionamento entre pais e filhos de forma dura e crua. Um filme que traz Jack Nicholson talvez em sua atuação mais humana, sem usar seus cacoetes e maneirismos tão famosos e interpretando um personagem sincero, que erra como todos e sofre por isso. Um filme a ser visto com o coração, mesmo que ele saia um pouco mais triste da sessão de cinema.
 
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