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Viva
o Bom Cinema!
John
Waters critica o cinema oriundo de Hollywood
Cansado
de ir ao cinema assistir sempre as mesmas explosões
dos filmes de ação? Saturado da quantidade de
continuações e refilmagens de filmes antigos?
Sem paciência para assistir ao mais recente sucesso
arrasa-quarteirão produzido por Hollywood e que não
traz nada de novo? Pois acredite: se sua resposta é
sim, "Cecil Bem Demente" é definitivamente
o seu filme.
Pois criticar Hollywood é a intenção
principal do mais recente trabalho do diretor John Waters,
famoso no cinema independente americano por seus filmes mais
antigos, como "Pink Flamingos" e "Hairspray
- Éramos Todos Jovens". Em "Cecil Bem Demente"
Waters atira para todos os lados da indústria cinematográfica
norte-americana, seja ao criticar o estrelismo dos atuais
astros de Hollywood, através da personagem Honey Whitlock,
ou ao satirizar a produção de uma fictícia
sequência de "Forrest Gump", filme tido por
Waters como um dos ícones do "mau cinema americano".
A história em si já é uma grande crítica
ao cinema hollywoodiano. Cecil B. DeMented, interpretado por
Stephen Dorff, é um jovem diretor que lidera uma trupe
de fiéis cineastas-guerrilheiros, que fazem de tudo
pelo bom cinema e têm em seus corpos tatuagens com os
nomes de seus diretores prediletos. Desprezados pelos grandes
estúdios e decididos a protestar contra as superproduções,
eles traçam um plano arrojado: sequestrar a mais popular
estrela americana do momento, Honey Whitlock (interpretada
por Melanie Griffith), e forçá-la a atuar em
um de seus filmes, realizado em condições precárias
e que servirá como um grande protesto à atual
situação do cinema nos Estados Unidos.
Com o passar do tempo, a própria Honey passa a se tornar
partidária dos ideais de Cecil e gosta de sua nova
condição como "estrela cult". Uma
situação que não é nenhuma novidade
para o diretor John Waters, que se inspirou no caso de sua
grande amiga Patricia Hearst, que no passado chegou a ser
sequestrada e terminou roubando bancos juntamente com seu
algozes. Inclusive a própria Hearst faz uma ponta em
"Cecil Bem Demente", atuando como a mãe de
um dos cineastas-guerrilheiros de Cecil.
Encerrado o filme, a mensagem que "Cecil Bem Demente"
passa aos espectadores é bem clara: não aceite
sem pestanejar tudo o que Hollywood lhe apresenta e privilegie
sempre bons filmes. Afinal de contas, não são
apenas os Estados Unidos que sabem fazer bons filmes nem apenas
o grande lançamento da semana merece ser assistido
pelo público em geral. Filmes como "Cecil Bem
Demente", que nos fazem pensar sobre a própria
situação do cinema, podem e devem ser também
conferidos por todos aqueles que apreciam o bom cinema, americano
ou não.
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