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Sétima Arte
por Francisco Russo

Viva o Bom Cinema!

John Waters critica o cinema oriundo de Hollywood

Cansado de ir ao cinema assistir sempre as mesmas explosões dos filmes de ação? Saturado da quantidade de continuações e refilmagens de filmes antigos? Sem paciência para assistir ao mais recente sucesso arrasa-quarteirão produzido por Hollywood e que não traz nada de novo? Pois acredite: se sua resposta é sim, "Cecil Bem Demente" é definitivamente o seu filme.

Pois criticar Hollywood é a intenção principal do mais recente trabalho do diretor John Waters, famoso no cinema independente americano por seus filmes mais antigos, como "Pink Flamingos" e "Hairspray - Éramos Todos Jovens". Em "Cecil Bem Demente" Waters atira para todos os lados da indústria cinematográfica norte-americana, seja ao criticar o estrelismo dos atuais astros de Hollywood, através da personagem Honey Whitlock, ou ao satirizar a produção de uma fictícia sequência de "Forrest Gump", filme tido por Waters como um dos ícones do "mau cinema americano".

A história em si já é uma grande crítica ao cinema hollywoodiano. Cecil B. DeMented, interpretado por Stephen Dorff, é um jovem diretor que lidera uma trupe de fiéis cineastas-guerrilheiros, que fazem de tudo pelo bom cinema e têm em seus corpos tatuagens com os nomes de seus diretores prediletos. Desprezados pelos grandes estúdios e decididos a protestar contra as superproduções, eles traçam um plano arrojado: sequestrar a mais popular estrela americana do momento, Honey Whitlock (interpretada por Melanie Griffith), e forçá-la a atuar em um de seus filmes, realizado em condições precárias e que servirá como um grande protesto à atual situação do cinema nos Estados Unidos.

Com o passar do tempo, a própria Honey passa a se tornar partidária dos ideais de Cecil e gosta de sua nova condição como "estrela cult". Uma situação que não é nenhuma novidade para o diretor John Waters, que se inspirou no caso de sua grande amiga Patricia Hearst, que no passado chegou a ser sequestrada e terminou roubando bancos juntamente com seu algozes. Inclusive a própria Hearst faz uma ponta em "Cecil Bem Demente", atuando como a mãe de um dos cineastas-guerrilheiros de Cecil.

Encerrado o filme, a mensagem que "Cecil Bem Demente" passa aos espectadores é bem clara: não aceite sem pestanejar tudo o que Hollywood lhe apresenta e privilegie sempre bons filmes. Afinal de contas, não são apenas os Estados Unidos que sabem fazer bons filmes nem apenas o grande lançamento da semana merece ser assistido pelo público em geral. Filmes como "Cecil Bem Demente", que nos fazem pensar sobre a própria situação do cinema, podem e devem ser também conferidos por todos aqueles que apreciam o bom cinema, americano ou não.

 
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