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Sétima Arte
por Francisco Russo

Fenômeno Americano
"Casamento Grego" bate recordes, mas não cumpre a expectativa

O cinema americano passa hoje por um momento curioso. Após o sucesso comercial de Quem Vai Ficar Com Mary? e American Pie cada vez mais se viu em Hollywood comédias que exploram piadas sobre sexo e minorias de qualquer tipo, muitas delas bastante apelativas. Como no cinema americano tudo que faz sucesso é exaustivamente copiado, nos anos seguintes tivemos a oportunidade de conferir nos cinemas filmes como O Amor é Cego, Eu, Eu Mesmo & Irene, Tudo Para Ficar Com Ele, Diga que Não é Verdade, American Pie 2, Caindo na Estrada, Todo Mundo em Pânico, Não é Mais um Besteirol Americano e tantos outros que beberam da mesma fonte de idéias ou tiveram pequenas variações, satirizando outros filmes. Pois a overdose de comédias que usam e abusam do mesmo tipo de humor tem permitido o ressurgimento de um outro tipo de comédia, que andava meio esquecida: a que explora situações cômicas em torno da própria história. Foi assim que Máfia no Divã e Entrando Numa Fria, por exemplo, conquistaram o público. E vem sendo do mesmo modo que Casamento Grego tem feito tanto sucesso nos Estados Unidos nestes últimos meses.

O ressurgimento das comédias de situação pode ser encarado como uma resposta daqueles que tanto criticam o humor apelativo, que ainda faz bastante sucesso nos Estados Unidos. Porém, a pequena quantidade de comédias de situação que vem sendo lançada tem feito com que um fenômeno venha ocorrendo junto ao público americano: basta que uma comédia tenha uma história razoavelmente boa e algumas piadas engraçadas para que ela se torne um sucesso imediato. A falta de opções tem feito com que o público não exija muito deste tipo de comédia, consagrando as poucas que surgem em cena. Foi isto que aconteceu com Máfia no Divã e Entrando Numa Fria, bons filmes que foram exaltados pelo público americano, e é exatamente isto que vem ocorrendo com Casamento Grego.

Seguindo uma linha tradicional de humor, Casamento Grego aposta em uma única piada, que é exaustivamente repetida de várias formas durante todo o filme: as diferenças entre culturas de povos distintos. Mais exatamente as diferenças entre a cultura grega e a americana, que são exploradas através da família de Toula e pela própria protagonista, que não se sente bem com as tradições da família e sempre compara seus atos com os das pessoas à sua volta, que são justamente americanos. Ou ainda pelo modo como Ian, namorado de Toula, precisa se adequar às tradições gregas para manter seu relacionamento. Ou então pelo modo como os pais de Ian e Toula passam a conviver entre si, explicitando as diferenças culturais entre eles. Todos estes exemplos são apenas para mostrar que a grande intenção do filme é apresentar tais contrastes culturais de forma divertida, modificando o contexto no qual eles são apresentados mas nunca sem mudar a essência da piada - e, às vezes, sem nem mudar a piada.

Tais diferenças até criam boas situações cômicas - há uma, já no final, sobre frutas que é hilária -, mas acabam se tornando repetitivas pelo fato do filme apenas se basear nelas. O próprio romance entre Toula e Ian perde importância no decorrer da história, servindo apenas para ressaltar ainda mais as diferenças culturais. Tanto que, na 2ª metade, o filme muda o foco do romance do casal principal para a família da protagonista cuidando dos preparativos do casamento, fazendo com que a história em si seja desprezada e valorizando a inserção de piadas ocasionais, como as provocações dos primos de Toula a Ian ou a repetição de cenas sobre o orgulho grego.

Mas, apesar de não oferecer nada de novo - comédias sobre conflitos culturais são feitas há décadas -, Casamento Grego tem conquistado uma legião de fãs nos Estados Unidos justamente por surgir no momento certo, em que não há outra comédia semelhante em cartaz. O público, cansado de comédias de humor apelativo e ávido por novas comédias de situação, têm ido maciçamente ao cinema assisti-lo, fazendo com que Casamento Grego tenha se tornado o maior sucesso independente de toda a história, mesmo não tendo nomes conhecidos no elenco. Se por um lado isto é bom, pois tamanho sucesso provavelmente fará com que Hollywood aposte em novas comédias de situação, por outro lado é ruim, pois demonstra que a falta de opções tem feito com que a exigência do público caia bastante, que se contenta com o pouco que tem à disposição. Pois, apesar de ter algumas boas piadas, Casamento Grego é apenas um filme mediano, que passaria despercebido se tivesse sido lançado em períodos de maior quantidade e qualidade das comédias de situações hollywoodianas, como boa parte da década de 80.

 
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