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Arte |
por
Francisco Russo |
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Garantia de Qualidade
Pixar mostra o porquê de ser hoje o principal estúdio de animação
A trajetória da Pixar é curiosa. Há 11 anos atrás era um estúdio de animação pouquíssimo conhecido, que se associou à gigante Disney para lançar Toy Story. Hoje, 7 filmes depois, comanda a animação da ainda gigante Disney e tem seu nome associado à qualidade pelo público em geral. O mais interessante é que este salto não ocorreu devido a um grande sucesso, mas sim à uma sequência de bons filmes. A Pixar, ao menos até o momento, não fez um filme ruim. É lógico que há diferenças entre seus lançamentos, com filmes melhores e outros piores, mas mesmo o pior - a meu ver, Vida de Inseto - é um bom filme.
Esta infalibilidade da Pixar sempre gera expectativa para seu projeto seguinte. Será que agora o estúdio irá falhar? Ainda não foi desta vez. Carros explora dois conceitos bastante usados pela Pixar: a qualidade da animação e uma história simples inserida em um contexto diferente do usual. Assim foi feito com Procurando Nemo, que trazia a clássica trama de um pai procurando por seu filho em uma aventura submarina. Assim é Carros, que traz a clássica trama do arrogante que encontra a humildade e amigos em uma aventura automotiva.
Mais do que a trama em si, o que chama a atenção em Carros são os detalhes de como seria um universo em que não há seres humanos e sim apenas carros. Esta também é uma característica da Pixar: imaginar uma realidade a partir de outro ponto de vista. Exemplos em filmes anteriores há aos montes, como os brinquedos de Toy Story ou os seres do aquário no próprio Procurando Nemo. Os carros deste novo filme possuem características humanas e têm atos humanos, como fazer a ola em estádios. Como adaptar estas situações à realidade proposta é um desafio à criatividade, cuja resposta surpreende em cena. Carros já mereceria ser visto apenas por estas invenções, mas oferece mais.
A trama de Carros, especialmente em sua meia hora inicial, talvez soe estranha ao público brasileiro por não ser familiarizado com o universo da Nascar, a principal competição automotiva dos Estados Unidos. Mas o conceito da fama a todo custo, tão perseguido mundo afora, é bem familiar. É nele que vive Relâmpago McQueen, um carro de corridas auto-suficiente que sonha em conquistar a Copa Pistão. Após terminar empatado com outros dois competidores a última corrida da temporada, é marcada uma corrida de desempate na California. No caminho Relâmpago se perde, indo parar em uma pacata cidade, quase fantasma, onde é preso por ter destruído a principal estrada. Obrigado a reconstruí-la, Relâmpago passa a conviver com os habitantes locais e é influenciado por eles. O modo como a trama é conduzida cativa, fazendo com que aos poucos o espectador se afeiçoe à pequena Carburator Springs. A cidade representa uma volta ao passado, ou melhor, uma volta ao modo de viver do passado, onde havia mais contato e menos pressa, tão comum nos dias atuais.
Vale ressaltar também a qualidade da animação computadorizada, que impressiona especialmente nas sequências que mostram as paisagens em torno de Carburator Springs. O passeio entre Relâmpago e Sally, que culmina na cena "paixão à primeira vista" com Sally com uma cachoeira ao fundo, é belíssimo. Os próprios carros foram criados de forma que ganhassem contornos humanos sem perder suas características naturais, e neste ponto o melhor exemplo é o xerife, cujo radiador lembra bastante a presença de um bigode. Esta mistura de criatividade e animação impressiona também visualmente.
Carros não é o melhor filme da Pixar, título que ainda dedico a Toy Story 2. Trata-se de um filme leve, criativo e divertido, como foram todos os filmes já lançados pelo estúdio. É bom saber, e confirmar, que há pelo menos um estúdio que preze a qualidade e a engenhosidade desta forma. Que venha o próximo filme e que ele, mais uma vez, mantenha este alto padrão que a Pixar tem já há mais de uma década. Esta é a torcida que fica.
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