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por Francisco Russo

Perdendo o Gás
Franquia "Austin Powers" começa a mostrar cansaço no 3º filme

Mike Myers é um caso curioso em Hollywood. Sua fama teve início após sua entrada no aclamado programa da TV norte-americana Saturday Night Live, no final da década de 80. Pouco tempo depois esteve em um grande sucesso do cinema, Quanto Mais Idiota Melhor, no qual além de atuar ainda escreveu o roteiro. O sucesso do filme rendeu uma sequência, lançada apenas um ano após a estréia do original, mas não rendeu a Myers o que ele mais almejava: uma carreira sólida no cinema.

O sonho de Myers começou a se tornar realidade em 1997, quando chegou aos cinemas Austin Powers - Um Agente Nada Discreto. Apostando na velha comédia do conflito de gerações, mais exatamente entre os anos 60 e 90, o filme fez sucesso nos cinemas mas estourou de vez nas locadoras, onde arrecadou aproximadamente a metade do que havia obtido nas bilheterias. Os personagens Austin Powers e Dr. Evil, ambos interpretados por Myers, caíram no gosto do público e logo se criou uma grande expectativa para um 2º filme da série. Foi quando, já em 1999, chegou aos cinemas com uma intensa campanha de marketing Austin Powers - Um Agente 'Bond' Cama. Recheado de participações especiais, o filme foi um estrondoso sucesso. Ultrapassou a marca de US$ 270 milhões nas bilheterias de todo o planeta, um resultado cinco vezes maior que o obtido pelo filme original.

O sucesso de Austin Powers rendeu a Myers uma posição invejável na indústria de Hollywood. Sem querer se desgastar junto ao público, Myers evitou protagonizar outras comédias, optando por pequenos papéis inusitados, como em Studio 54, ou ainda por filmes em que não aparecia em cena, como na dublagem do protagonista de Shrek. O sucesso do 2º filme lhe deu ainda motivos para cobrar uma verdadeira fortuna para atuar em um 3º longa-metragem de Austin Powers: US$ 25 milhões mais 21% dos lucros obtidos pelo novo filme nas bilheterias norte-americanas. A New Line, apostando em mais um sucesso, assinou o contrato sem reclamar.

E assim surgiu Austin Powers em O Homem do Membro de Ouro. Contando mais uma vez com roteiro de Mike Myers e Michael McCullers e com a direção de Jay Roach (Entrando Numa Fria), o novo filme busca mais uma vez satirizar os filmes da série 007 e ainda apontar novos rumos para os personagens da série Austin Powers. Se o 1º filme possuía uma história melhor trabalhada, mostrando as origens de Austin e do Dr. Evil, e o 2º apostava em uma sequência de piadas hilárias mas com um fiapo de roteiro, neste 3º Austin Powers o que se pode perceber é a mescla destes dois estilos. A entrada em cena do pai de Austin Powers, interpretado por Michael Caine, traz de volta um melhor aproveitamento da história de Austin e de seu arquiinimigo Dr. Evil. Por outro lado, a sequência de piadas e citações vistas no 2º filme mais uma vez estão presentes, bem como o maior destaque dado a Dr. Evil, o que já acontecia no 2º filme da série.

O problema maior deste novo Austin Powers é que seus principais personagens começam a demonstrar cansaço pela repetição de temas. Se na série 007 os clichês são usados à exaustão, as constantes mudanças de vilões e planos malignos acabam renovando o personagem de um filme para outro. Não é isto que ocorre com Austin Powers, que se vê sempre preso à necessidade de enfrentar Dr. Evil ou algum vilão que gire em torno dele. Com 3 filmes no currículo, Myers já se vê sem idéias tão boas para seus personagens, apelando para a repetição de antigas piadas - uma delas mostrada explicitamente por Ozzy Osbourne no próprio filme - ou até de situações - viagem ao passado, já usada no 2º filme.

Para tentar driblar esta repetição Myers buscou mudar um pouco o destino de seus personagens, mostrando neste novo filme um pouco do passado de Austin Powers e Dr. Evil. Além disto Myers explorou ainda mais as sátiras à série 007 e também as citações a outros filmes e participações especiais, como forma de esconder este problema. Um bom exemplo é toda a sequência inicial do longa-metragem, que é uma paródia a filmes de ação em geral e também é, de longe, a melhor cena do filme. Já entre os filmes e personalidades citados estão O Silêncio dos Inocentes, a cantora Britney Spears e a própria família Osbourne.

Apesar de menos original que os filmes anteriores, ainda assim Austin Powers em O Homem do Membro de Ouro é um filme que diverte em certos momentos, principalmente quando busca satirizar o próprio cinema. O público pelo visto ainda está longe de se cansar do personagem, já que somente nos Estados Unidos o filme já ultrapassou a marca de US$ 200 milhões. Um retrospecto que praticamente já garante a existência de um Austin Powers 4 para breve, garantindo também a tranquilidade de Mike Myers durante alguns bons anos.
 
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