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Perdendo
o Gás
Franquia
"Austin Powers" começa a mostrar cansaço
no 3º filme
Mike
Myers é um caso curioso em Hollywood. Sua
fama teve início após sua entrada no aclamado
programa da TV norte-americana Saturday Night Live,
no final da década de 80. Pouco tempo depois esteve
em um grande sucesso do cinema, Quanto Mais Idiota
Melhor, no qual além de atuar ainda escreveu
o roteiro. O sucesso do filme rendeu uma sequência,
lançada apenas um ano após a estréia
do original, mas não rendeu a Myers
o que ele mais almejava: uma carreira sólida no cinema.
O sonho de Myers começou a se tornar
realidade em 1997, quando chegou aos cinemas Austin
Powers - Um Agente Nada Discreto. Apostando na velha
comédia do conflito de gerações, mais
exatamente entre os anos 60 e 90, o filme fez sucesso nos
cinemas mas estourou de vez nas locadoras, onde arrecadou
aproximadamente a metade do que havia obtido nas bilheterias.
Os personagens Austin Powers e Dr.
Evil, ambos interpretados por Myers,
caíram no gosto do público e logo se criou uma
grande expectativa para um 2º filme da série.
Foi quando, já em 1999, chegou aos cinemas com uma
intensa campanha de marketing Austin Powers - Um Agente
'Bond' Cama. Recheado de participações
especiais, o filme foi um estrondoso sucesso. Ultrapassou
a marca de US$ 270 milhões nas bilheterias de todo
o planeta, um resultado cinco vezes maior que o obtido pelo
filme original.
O sucesso de Austin Powers rendeu a Myers
uma posição invejável na indústria
de Hollywood. Sem querer se desgastar junto ao público,
Myers evitou protagonizar outras comédias,
optando por pequenos papéis inusitados, como em Studio
54, ou ainda por filmes em que não aparecia
em cena, como na dublagem do protagonista de Shrek.
O sucesso do 2º filme lhe deu ainda motivos para cobrar
uma verdadeira fortuna para atuar em um 3º longa-metragem
de Austin Powers: US$ 25 milhões mais
21% dos lucros obtidos pelo novo filme nas bilheterias norte-americanas.
A New Line, apostando em mais um sucesso, assinou o contrato
sem reclamar.
E assim surgiu Austin Powers em O Homem do Membro
de Ouro. Contando mais uma vez com roteiro de Mike
Myers e Michael McCullers e com
a direção de Jay Roach (Entrando
Numa Fria), o novo filme busca mais uma vez satirizar
os filmes da série 007 e ainda apontar novos rumos
para os personagens da série Austin Powers.
Se o 1º filme possuía uma história melhor
trabalhada, mostrando as origens de Austin
e do Dr. Evil, e o 2º apostava em uma
sequência de piadas hilárias mas com um fiapo
de roteiro, neste 3º Austin Powers o
que se pode perceber é a mescla destes dois estilos.
A entrada em cena do pai de Austin Powers,
interpretado por Michael Caine, traz de volta
um melhor aproveitamento da história de Austin
e de seu arquiinimigo Dr. Evil.
Por outro lado, a sequência de piadas e citações
vistas no 2º filme mais uma vez estão presentes,
bem como o maior destaque dado a Dr. Evil,
o que já acontecia no 2º filme da série.
O problema maior deste novo Austin Powers
é que seus principais personagens começam a
demonstrar cansaço pela repetição de
temas. Se na série 007 os clichês são
usados à exaustão, as constantes mudanças
de vilões e planos malignos acabam renovando o personagem
de um filme para outro. Não é isto que ocorre
com Austin Powers, que se vê sempre
preso à necessidade de enfrentar Dr. Evil
ou algum vilão que gire em torno dele. Com 3 filmes
no currículo, Myers já se vê
sem idéias tão boas para seus personagens, apelando
para a repetição de antigas piadas - uma delas
mostrada explicitamente por Ozzy Osbourne
no próprio filme - ou até de situações
- viagem ao passado, já usada no 2º filme.
Para tentar driblar esta repetição Myers
buscou mudar um pouco o destino de seus personagens, mostrando
neste novo filme um pouco do passado de Austin Powers
e Dr. Evil. Além disto Myers
explorou ainda mais as sátiras à série
007 e também as citações a outros filmes
e participações especiais, como forma de esconder
este problema. Um bom exemplo é toda a sequência
inicial do longa-metragem, que é uma paródia
a filmes de ação em geral e também é,
de longe, a melhor cena do filme. Já entre os filmes
e personalidades citados estão O Silêncio
dos Inocentes, a cantora Britney Spears
e a própria família Osbourne.
Apesar de menos original que os filmes anteriores, ainda assim
Austin Powers em O Homem do Membro de Ouro é
um filme que diverte em certos momentos, principalmente quando
busca satirizar o próprio cinema. O público
pelo visto ainda está longe de se cansar do personagem,
já que somente nos Estados Unidos o filme já
ultrapassou a marca de US$ 200 milhões. Um retrospecto
que praticamente já garante a existência de um
Austin Powers 4 para breve, garantindo também
a tranquilidade de Mike Myers durante alguns
bons anos.
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