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Arte |
por
Francisco Russo |
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Dublagem que Atrapalha
Novo filme de Asterix decepciona
Na última década os longa-metragens de animação ganharam um grande impulso em Hollywood, a ponto de até mesmo receberem uma categoria própria no Oscar. Neste mesmo período os estúdios americanos passaram, com mais frequência, a usar celebridades como dubladores dos principais personagens destes filmes. Tom Hanks e Tim Allen dublaram Toy Story, Kevin Spacey em Vida de Inseto, Julia Roberts e Nicolas Cage no ainda em cartaz Lucas, um Intruso no Formigueiro... A lista é extensa e a cada ano cresce mais. Nos últimos anos as distribuidoras brasileiras resolveram também adotar esta estratégia, contratando estrelas nacionais. E é justamente aqui que está o problema não apenas de Asterix e os Vikings, mas também de várias outras versões nacionais: a presença de nomes conhecidos que não sejam bons dubladores.
Há exceções, claro. Selton Mello, ator reconhecido, fez um belo trabalho como dublador em A Nova Onda do Imperador. Porém a troca da qualidade pela celebridade muitas vezes prejudica o próprio filme. O problema fica ainda maior quando se trata de filmes do Asterix, que possui vários longas de animação, lançados entre as décadas de 60 e 80, que até hoje são objeto de culto para os fãs. Soa estranho ouvir a voz rouca de Asterix, dublada por Rodrigo Scarpa, mais conhecido como o Repórter Vesgo do programa "Pânico na TV". Mais estranho ainda é o sotaque paulista do interior de Sabrina Sato dado a uma personagem viking. Ambos parecem deslocados, não integrados com a ambientação mostrada em cena, o que prejudica - e muito - que o espectador embarque na história sem restrições.
Porém a dublagem não é o único problema de Asterix e os Vikings - e, se fosse, seria simples de ser resolvido, bastaria assistir na versão original ou aguardar o lançamento do DVD. O novo filme pasteuriza os personagens, de forma a torná-los mais acessíveis ao público em geral. O lado satírico, tão bem usado por René Goscinny e Albert Uderzo nos livros, é pouco explorado em cena. O único momento em que este lado surge é quando o personagem Calhambix mostra a música de sua preferência, numa comparação explícita com o gosto musical dos jovens nos dias atuais. No restante há até citações a situações clássicas das histórias de Asterix, como a briga de peixe e ataques aos romanos e aos piratas, mas de pouca relevância na história. E, com estas mudanças, Asterix e os Vikings torna-se um filme de animação comum, sem o principal atrativo de seus livros.
A quem conhece os personagens da irredutível aldeia gaulesa recomendo que assista os dois filmes já feitos com atores, Asterix e Obelix Contra César e Asterix e Obelix - Missão Cleópatra, ambos bastante superiores a este. Ou ainda que veja os filmes antigos feitos em animação. Mas, caso deseje conferir Asterix e os Vikings, não pense duas vezes e procure por uma cópia legendada. Conselho de amigo.
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