Todo mundo conhece a máxima: sorte no amor, azar no jogo. Ou vice-versa. Mas essa lógica não atinge Ashley Albright, que tem tudo o que deseja. E não se trata apenas de beleza, encontros fabulosos e uma carreira em constante ascensão. Ashley nunca tem que esperar por um taxi, mesmo vivendo no caos de Nova Iorque; se está chovendo, o temporal cessa quando ela sai de casa; bilhetes premiados fazem parte de sua rotina. Tantas coisas boas lhe acontecem que ela desconhece o quanto é sortuda, simplesmente porque sua vida nunca foi de outro modo. Jake Hardin é o oposto de Ashley: tem um emprego degradante, vive sofrendo todo tipo de acidente e sendo preso por delitos que não cometeu. Suas calças rasgam em público e o chão está sempre escorregadio. Até mesmo quando acha dinheiro na rua, isso se converte numa terrível provação. Mas ele é tão azarado que, ao contrário de se abater com a falta de sorte, considera-a normal e segue lutando quixotescamente contra a má fortuna. O que aconteceria com essas duas pessoas se tudo mudasse de repente? Esse é o argumento básico de Sorte no Amor.
O diretor Donald Petrie, que tem no currículo os bem-sucedidos Miss Simpatia e Como Perder um Homem em 10 Dias, optou por um tom escancarado de fábula. Decisão acertada, e muito bem amparada por um consistente trabalho de figurino e direção de arte. A encantadora seqüência do encontro de Ashley e Jake no baile de máscaras é um exemplo disso. A estrelinha adolescente Lindsay Lohan - de Sexta-feira Muito Louca e Meninas Malvadas - se sai bem neste seu primeiro papel adulto, ao lado do simpático e pouco conhecido Chris Pine. O casal tem carisma e química suficiente para sustentar o filme, mesmo em algumas seqüências bobinhas e desnecessárias para a trama. Reside aí o maior desafio de qualquer comédia romântica: fazer com que o público torça pelos protagonistas, mesmo já sabendo de antemão que o final feliz é inevitável.
Sorte, acaso e destino sempre renderam uma boa discussão. Recentemente, no brilhante Match Point, Woody Allen defendeu a tese de que as pessoas têm pouquíssimo controle sobre o destino. Mas então Sorte no Amor é uma reflexão séria sobre o papel da sorte em nossas vidas? Não, longe disso. Um romance arrebatador para reter na memória? Muito menos. Uma comédia hilária que, com o tempo, ganhará ares cult? Sem chance. Desfeitas as ilusões, sobra uma produção despretensiosa e agradável de se assistir. Principalmente para quem estiver à procura de algo para curtir a dois no escurinho do cinema. Afinal de contas, o Dia dos Namorados vem aí.