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No Escurinho do Cinema
por Érika Liporaci

Substituto para Lexotan

Há tempos que se fala em Party Monster. Afinal de contas, é o filme que traria de volta Macaulay Culkin, sumido há uma década (seu último filme fora Riquinho, em 1994), no papel polêmico de um promoter homossexual e assassino. Baseado no livro "Disco Banho de Sangue", de James St. James, o filme conta a trajetória de Michael Alig, que ficou famoso em meados dos anos 80 por conta de suas loucas festas regadas a muita purpurina, ecstasy e música techno. St. James foi uma espécie de padrinho, que iniciou Alig nos meandros da noite nova-iorquina. Mas logo Michael voou com suas próprias asas e se tornou mentor de um grupo autodenominado Club Kids - jovens que farreavam na noite nova-iorquina e se tornaram verdadeiras celebridades. De personalidade instável e com uma crescente dependência das drogas, a festa de Michael Alig terminou quando ele, julgando-se inatingível, assassinou um traficante. Alig foi condenado e está preso até hoje.

O início do filme promete uma debochada crítica da sociedade de consumo, quando os personagens ironizam para a câmera temas sérios como pedofilia, assassinato e consumo de drogas. Mas não demora dez minutos até que Party Monster se converta num filme incrivelmente chato e sem sentido. Uma proeza para uma história que tinha tudo para ser bombástica. Curiosamente, o tema não era novidade para os diretores Fenton Bailey e Randy Barbato: eles já haviam realizado em 1998 um documentário sobre Alig, também batizado de "Party Monster". Resta saber porque resolveram regurgitar o assunto, já que o longa atira para todas as direções e não chega a lugar nenhum. Um retrato da juventude louca dos anos 80 / 90? Não. A investigação da mente de um assassino? Nem um pouco. Um filminho superficial e divertido? Quem dera. Nem isso ele consegue ser.

O problema começa por Macaulay Culkin, que simplesmente não convence como uma drag queen desvairada. Parece mais o menino Kevin, de Esqueceram de Mim, brincando com as roupas da mãe e aprontando outra traquinagem. Sua interpretação é rasa, caricata e totalmente fora do tom. Em algumas cenas, sua presença na tela chega a ser constrangedora. Aliás, todo o elenco é fraquíssimo. Com exceção do competente Seth Green, que interpreta James St. James, todos parecem pouco à vontade na trama.

Ainda assim, o desempenho inadequado do elenco é o menor dos problemas da produção. Não bastasse o roteiro inexistente e a direção frouxa, os aspectos técnicos tampouco ajudam a minimizar o sofrimento do pobre espectador. O som é péssimo - ainda mais considerando que o longa enfoca um personagem que inventava festas exuberantes - e a definição de imagem é sofrível. Qualquer vídeo universitário é mais bem acabado. Fica no ar a dúvida do que os diretores - lembrar que o filme tem não apenas um, mas dois diretores, só piora as coisas - pretendiam. Se a intenção era criar uma estética underground, não funcionou. O resultado ficou apenas pobre e desagradável de se assistir.
Não há muito o que dizer. Party Monster é um filme curto, tem pouco mais de uma hora e meia de duração. Mesmo assim, pode-se observar a platéia bocejando e espreguiçando durante o filme inteiro. Mas não dá pra recomendar nem para quem sofre de insônia. Do jeito que o ingresso anda pela hora da morte, um sonífero deve sair mais barato.
 
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