Adoro Cinema
Porque cinema é muito mais do que pipoca!
 
 
Adoro Cinema .comAdoro Cinema Brasileiro.com.br
     Colunas  
O Blog Adoro Cinema!
 
Colunas
Geral    
Cena de Cinema    
Panorâmica    
Pedindo Bis    
Sétima Arte    
Tirando o Mofo    
Escurinho do Cinema  
Fora de Circuito    
Top 10 Brasil    
Top 10 EUA    
Matérias Especiais    
Diários Cinéfilos    
     
  Filmes
  Personalidades
  Promocine
  Interatividade
  Cinenews  
  Destaques  
  Equipe
  Festivais  
  Loja
  Primeira Visita  
  Contatos
 
 
 
 
Assista os melhores filmes de graça!
 

 
Hot Site Especial Indiana Jones
 
 
No Escurinho do Cinema
por Érika Liporaci

No Coração das Trevas

A curiosidade em torno de O Jardineiro Fiel começou quando o brasileiro Fernando Meirelles assumiu a direção na última hora (Mike Newell havia acabado de deixar o projeto) e aumentou ainda mais com sua seleção para a competição oficial do Festival de Veneza deste ano. Ainda que tenha perdido o Leão de Ouro, a expectativa só fez crescer quando o longa encerrou o Festival do Rio em evento de gala - com direito à presença do diretor e do astro Ralph Fiennes. Agora é a vez do grande público conferir o resultado dessa grande produção anglo-americana baseada no best-seller de John le Carré e capitaneada com extrema competência e segurança pelo diretor de Cidade de Deus.

Antes de mais nada, é preciso deixar claro que o filme não tem absolutamente nada a ver com Cidade de Deus. Talvez a única semelhança seja a belíssima fotografia em tons de terra, ambas criação do uruguaio César Charlone (indicado ao Oscar por Cidade de Deus). Fora esse detalhe, os dois filmes não poderiam ser mais diferentes. O Jardineiro Fiel é um filme de emoções represadas, de acordo com a personalidade de seu protagonista - um diplomata britânico em missão no Quênia que, nas horas vagas, faz da jardinagem sua conexão com um mundo que parece não entender muito bem.

O pacato cidadão Justin Quayle é arrancado de sua rotina quando sua esposa Tessa, uma ferrenha ativista pelos direitos humanos, sofre uma emboscada numa estrada e é brutalmente assassinada. As autoridades querem fazer parecer que Tessa estava tendo um caso com o médico queniano que a acompanhava. Mas Justin não se convence com a versão oficial de crime passional e logo começa a desfiar uma escabrosa conspiração envolvendo poderosas multinacionais e o próprio governo do qual faz parte. Essa tomada de consciência o leva rumo a horrores que nunca pensara presenciar em sua carreira diplomática.

O grande mérito do longa é sua sinceridade. Felizmente, o roteiro não se afasta dos limites humanos e resiste à tentação de transformar o protagonista em James Bond. O personagem tem seus rompantes de coragem, mas sempre com uma desconcertante noção de que trava uma luta inglória. E é tal realismo que faz de O Jardineiro Fiel mais do que um mero filme de espionagem, ao transformar Justin Quayle num Quixote moderno, patético e trágico em sua desesperança. Ele sabe que sua busca só resultará em dor e, mesmo assim, segue adiante pelo simples fato de não ter nada a perder.

O papel de Justin Quayle cai como uma luva em Ralph Fiennes. O ator é especialmente bom em construir tipos introspectivos (quem o viu em Spider, de David Cronenberg, sabe mais ou menos o que esperar). Mas, sem minimizar a adequação de Fiennes, a presença mais forte do filme é a luminosa Tessa de Rachel Weisz. A atriz está incrível na seqüência que mostra como Tessa e Justin se conheceram. Outro destaque é Bill Nighy, num papel bem diferente do roqueiro doidão de Simplesmente Amor.

Certamente O Jardineiro Fiel não é o tipo de produção para quem quer relaxar e se sentir bem. Incomoda a naturalidade com que os lordes do Primeiro Mundo desdenham de uma nação carente que deveriam estar protegendo. Faz pensar em que termos realmente se apóia a chamada "ajuda humanitária" que os países ricos apregoam manter na África. Talvez uma das falas mais chocantes seja a dita por um distinto membro do primeiro escalão britânico: "nós não matamos ninguém que não fosse morrer de qualquer maneira". O tipo de declaração que pode servir de slogan para qualquer atrocidade.
 
Envie o seu comentário sobre esta coluna.

Leia outras colunas de Érika Liporaci no Adoro Cinema.
 
    Topo
 
  PROCURA


   ANÚNCIOS



 


Lista Completa de Filmes :|: Filmes em Cartaz :|: Filmes Inéditos :|: Atores :|: Diretores :|: Críticas :|: Pedidos :|: Colunas :|: Cinenews :|: Festivais :|: Fórum. :|: Promocine :|: Equipe :|: Anuncie
Adoro Cinema :|: Adoro Cinema Brasileiro
© Copyright 2001-2007A.C. Agência Digital - Todos os Direitos Reservados
Design por: Leo Faria Design