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Nada Substitui
o Talento
À
primeira vista A Casa Caiu não parece
ser um filme que tenha muito a oferecer. Até mesmo
o título lembra uma infinidade de comédias que
já foram feitas. A idéia básica da trama
também remete a outras que surgiram com a popularização
da internet: Peter Sanderson é um advogado certinho
e solitário, que sofre de saudades da ex-esposa. Por
conta de sua carência, se interessa por uma mulher que
conhece na internet. Charlene também seria advogada,
além de linda, loira e inteligente. Um dia, Peter a
convida para jantar e é com surpresa que descobre que
andou se comunicando com uma ex-presidiária escandalosa
que, para piorar, não se parece nada com a foto enviada.
Charlene quer que Peter a ajude a provar sua suposta inocência
e se recusa a sair de sua casa. Para tanto, faz uso dos mais
bizarros expedientes.
A esta
altura você imagina que já viu um filme como
esse. E provavelmente viu mesmo, e nem achou muita graça.
Sem novidades, certo? Errado. É uma grata surpresa
descobrir que A Casa Caiu supera estas limitações
e é, na verdade, muito legal. Os méritos são
todos do elenco, que tira partido de toda oportunidade para
divertir. O que dizer? A Casa Caiu é
engraçado para valer. Em se tratando de uma comédia,
isso basta.
Vale ressaltar
a trajetória da rapper Queen Latifah. Embora sua carreira
nas telas não seja novidade (seu primeiro filme foi
Febre da Selva, em 1991), somente no ano
passado a cantora/atriz foi promovida ao patamar de estrela.
Graças a seu papel como a carcereira de Chicago,
que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de melhor
atriz coadjuvante. Embora a presença de rappers americanos
no cinema seja comum, eles raramente fogem de filmes que tenham
sua música ou o protesto racial como temática.
Antes de Latifah, a única grande exceção
foi o hoje megastar Will Smith. Curiosamente, muita gente
pensa que Smith é um ator que migrou para a música
quando, na realidade, foi o contrário.
Já
Steve Martin dispensa maiores apresentações.
O cara é, sem dúvida, um dos melhores comediantes
americanos. E isso há pelo menos vinte anos. Novos
rostos vêm e desaparecem e Martin continua sempre com
a popularidade em alta, graças a seu timing perfeito
e aquela expressão capaz de tornar qualquer diálogo
irônico. E tem ainda o ótimo Eugene Levy. Talvez
você não esteja ligando o nome à pessoa,
mas certamente o conhece. Ele ficou famoso como o pai de Jim,
o protagonista de American Pie. Também
esteve impagável como o vendedor que se aproveita do
John Cusack para aumentar suas vendas em Escrito nas
Estrelas. Aqui, Levy é um advogado careta
que vira um verdadeiro tarado quando vê uma gordinha.
Este trio
mais do que inspirado eleva o filme e, no final, é
isso que faz toda a diferença. Fica provado que mesmo
um argumento previsível e pouco inspirado pode alcançar
um resultado final surpreendente. O filme foi o primeiro de
2003 a alcançar a marca de US$ 100 milhões nas
bilheterias americanas e deve repetir o sucesso por aqui.
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