A Princesa e o Sapo

por Roberto Cunha

UMA AVENTURA QUE NÃO PARA NO BREJO
20/03/2010 0

A Princesa e o Sapo
envie
comentar
newsletter
twitter
rss
separar os emails por vírgulas
limitado em 600 caracteres

Faça o login, para usar essa ferramenta.

Que tal assistir um desenho da Disney? Se a pergunta mexeu com você, certamente esta nova produção da casa do Mickey vai fazer o mesmo. Porque A Princesa e o Sapo é um legítimo “filho” de Walt Disney com as todas as sacadas que fizeram história em forma de desenho, a partir do traço extraído das mãos e não de mouses, canetas e traquitanas sofisticadas.

A trama se passa na musical New Orleans e conta a história de Tiana, uma jovem negra, obstinada, trabalhadora e que, sem tempo para o amor, só pensa em realizar o sonho de seu pai: ter um restaurante. E a chegada de um príncipe na cidade aumentou as chances dela alcançar sua meta, com exceção de um pequeno detalhe “verde e gosmento” que a fará viver uma grande e apaixonante aventura.

A Princesa e o Sapo tem aquele colorido típico já nos primeiros milímetros de película e o roteiro, por sua vez, segue a mesma linha dos clássicos com personagens sonhadores, carismáticos, afetados, bobalhões e ainda a presença do vilão. Como era de se esperar, a trilha sonora não deixa por menos, uma vez que sempre foi marca registrada do estúdio fazer uso das músicas para apresentar personagens e pontuar as passagens de tempo. A verdade é uma só: está tudo no seu devido lugar.

Repleto de sequências musicais, o longa já nasceu com pedigree. A diferença, talvez, esteja no apelo dos animais envolvidos na trama (sapo, crocodilo, insetos, normalmente considerados nojentos) bem diferentes de leõezinhos, cachorrinhos e elefantes. Mesmo assim, o crocodilo Louis é uma figuraça pra lá de engraçada e o brilho do vagalume Ray é cativante. É certo que o vilão Dr. Facilier não vai entrar para a galeria dos memoráveis como Scar ou Cruella, mas suas intervenções mostram as raízes nestes ícones do desenho animado.

Entre as referências e citações, duas saltam aos olhos: a duração do feitiço com tempo para acabar (Cinderela) e o momento em que Tiana, ao cair, quase se estatela, parando rente ao chão como fez Tom Cruise em Missão Impossível. Com cópias dubladas e legendadas, a versão brasileira tem suas vantagens pela qualidade dos profissionais envolvidos e também pela adaptação da linguagem nas falas e nas letras das músicas.

A aventura romântica tem bom ritmo e rende risadas como na perseguição inicial aos sapos no baile de máscaras ou no momento hilário com os roçeiros batendo um no outro, lembrando Os Irmãos Rocha (Corrida Maluca) de Hanna-Barbera. No texto é possível encontrar críticas à sociedade como o apego ao dinheiro (“O poder não está na magia. Está na grana!”) até coisas mais simples como a importância de se escovar os dentes. Enfim, é um filme completinho.

A Princesa e o Sapo diverte, encanta e emociona. Tudo o que você precisa para ter a sensação de que valeu a compra do ingresso e o tempo investido na sala escura. Portanto, pode ficar tranqüilo porque neste caso a vaca, ou melhor, o seu programa, não vai para o brejo.