19-02-2010 por Fátima Lacerda 0
A coprodução Brasil/Inglaterra, com a direção de Lucy Walker, é um retrato sem correções cosméticas da vida dos catadores de lixo de Jardim Gramacho, no município de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.
Vik Muniz (foto), natural da classe média paulista, vive em Nova Iorque e é o artista contemporâneo mais caro do momento. Ele decide fazer um projeto no Jardim Gramacho transformando o lixo em imensas colagens, em arte.
Chegando a Gramacho, e sempre acompanhado bem de perto pela câmera, Vik faz uma sondagem do terreno e, conforme vai deparando com catadores e catadoras pelo caminho, estabelece de maneira muito simpática e descompromissada um primeiro contato com eles/elas: Suelen, Magna, Ísis, Valéria, Valter e seu ditado legendário "99 não é 100", e Sebastião, o Tião, presidente da Associação de Catadores de Lixo.
Aos poucos, de catadores sem rosto, sem identidade, vão emergendo na tela pessoas com biografias próprias compostas de perdas, decepções e uma grande falta de auto-estima por achar que o trabalho que exercem não seja digno. Algums confessam que até escondem das famílias e amigos sobre o trabalho que exercem.
A competência social e a naturalidade de Vik Muniz são instigantes e ao mesmo tempo encantadores. Conforme o projeto vai se desenvolvendo, vai ficando claro para o espectador a dimensão do mesmo. Aquilo que estava planejado para ser um projeto de arte com um toque social ganhou um enorme âmbito, político, ambiental, social e pessoal, além de ser um divisor de águas para projetos futuros nesta área.
Apresentado na seção Panorama na Berlinale, o filme arrebatou os espectadores. A plateia delirou com a presença de Tião ao vivo nas discussões, sempre depois do filme. O público de Berlim sabe ser crítico ao extremo, mas tem também a veia emocional que veio à tona a todo vapor depois do filme. Tião conta que um alemão chegou para ele e disse: "Eu só quero te abraçar". Tião é de fato uma pessoa que transparece de cara uma enorme simpatia. Muito comunicativo, com discurso de quem já é craque no exercício do trabalho comunitário e sabe muito bem onde quer chegar.
Durante a sua estada em Berlim, Tião concedeu ao Adoro Cinema uma longa entrevista que será postada num próximo artigo.
Lixo Extraordinário tem grandes possibilidades de vencer o Prêmio do Público da mostra paralela Panorama. No próximo sábado, obteremos os resultado dos votos.
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Fonte: Adoro Cinema
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por Paulo ac, 14/02/2012 às 21:21
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Ele não poderia ter passado longe por que lutou muito pra que esse filme fosse feito e come...
por Carmem, 14/02/2012 às 21:08
...Magnífico!!!!
por Jota Ninos, 14/02/2012 às 20:42
Diário de um Jornalista Bêbado
O filme é bem feito, bem dirigido, mas não é nada interessante mesmo baseado numa histór...
por Renan, 14/02/2012 às 20:26