09-03-2010 por Fátima Lacerda 5
Ele veio, ganhou e levou a mais cobiçada estatueta do show business: o Oscar.
O ator mais popular das últimas semanas, libriano nascido na cidade de Viena em outubro de 1956, cresceu numa família onde o teatro era sempre presente. Entre seus antecessores haviam atrizes, atores, cenografistas e compositores. Depois de se aprimorar na renomada escola de arte Max-Reinhardt, foi estudar na não menos renomada escola Actor's Studio, nos EUA. Com 19 anos, retornando ao velho continente, viveu "Amadeus" nos palcos de Zurique. Seu primeiro trabalho em solo alemão foi na cidade de Colônia. A base de sua formação dramatúrgica é do teatro.
No início de sua carreira, Christoph Waltz era sempre escolhido para papéis de psicopatas, personalidades problemáticas, com as respectivas anomalias sociais. Com o seu trabalho A Dança com o Diabo, em 2000, ele levou o prestigiado prêmio Adolf-Grimme-Preis. Aos poucos a Alemanha se tornou sua moradia e centro de suas atividades profissionais. Entre os colegas alemães, Waltz constava como um bom ator, mas sempre do mesmo formato, sem se caracterizar especialmente por uma atividade artística eclética na TV.
Há bem pouco tempo atrás, Waltz ganhava seu pão de cada dia com séries, filmes para TVs particulares da Alemanha e era visto frequentemente nos trens de metrô de Berlim como um cidadão comum.
Depois do lançamento do filme de Tarantino, Bastardos Inglórios, no Festival de Cannes, tudo mudou. Além de Londres e Berlim, Waltz, sua esposa e a filha de 7 anos adicionaram Los Angeles como terceiro local de domicílio. No mais tardar em maio de 2009, com o arrebatar da Palma de Ouro no Festival de maior prestígio em solo europeu, o de Cannes, a carreira europeia de Waltz deslanchou.
Depois vieram o Globo de Ouro e na noite o austríaco conquistou o Olimpo do show business. Como uma premiação como essa é fator de definição para os cachês das próximas produções, Waltz deve em breve se transformar num dos mais bem pagos atores de Hollywood. Adeus a produções de qualidade duvidosa dos canais privados alemães. Suas parceiras são Cameron Diaz, com quem acabou de fazer um filme, e outras tantas divas hollywoodianas que virão por ai.
A Alemanha, ao todo concorrendo em 13 categorias na noite do Oscar, saiu de mãos abanando. A Fita Branca perdeu na categoria de melhor filme estrangeiro. É importante ressaltar que em muitas produções e coproduções em Hollywood há financiamento alemão, seja no âmbito institucional ou particular. Na Vila Aurora, residência nobre alemã em Hollywood, 800 convidados comemoravam à noite a vitória de Christoph Waltz.
A noite do Oscar bateu vários recordes e criou algumas precedências: a primeira atriz a receber o prêmio de pior e melhor atriz, Sandra Bullock. A primeira mulher na história do Oscar a ser premiada na categoria de melhor direção, Kathryn Bigelow (ex James Cameron) e um austríaco proveniente da pacata cidade de Viena, alcançando o topo de sua carreira. Em seu discurso de agradecimento, Waltz não deixou de louvar a personalidade nada ortodoxa de Tarantino, que teria arriscado neste empreendimento sem medo de riscos. Mesmo tendo sido cotado como favorito a levar a estatueta nas últimas semanas, Waltz não conseguiu esconder a surpresa quando ouviu seu nome mencionado pela belíssima Penélope Cruz. Em entrevista à imprensa, logo depois, ele disse: "Eu ainda estou em estado de choque. Por isso, se eu falar alguma bobagem, vocês me perdoem". Um gentleman da velha escola, encantando a fábrica dos sonhos de Hollywood.
Depois da vitória de A Vida dos Outros, do diretor alemão Florian von Donnersmarck em 2007, a premiação de Waltz, concorrendo com estrelas estabelecidas de Hollywood como Matt Damon e Christopher Plummer, é mais um alicerce do cinema europeu e sua safra de atores e atrizes a ser plantada no Sunset Boulevard. Não como uma andorinha de um verão só, mas para ficar.
Da pacata cidade de Viena para o mundo representando o oficial Landa, que já entrou na história de uma das melhores interpretações já vistas na telinha do cinema. Quem no filme ainda se lembra de alguém chamado Brad Pitt? Mas dê-se a César, ou melhor, a Tarantino o que lhe pertence. Com faro de lobo e destemido como o Homem-Aranha, ele apostou em Waltz e acabou levando os 13 pontos, conseguindo o melhor ator possível para o papel. Esta dobradinha ainda vai dar o que falar.
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Fonte: Adoro Cinema
Alessandro em 09/03/2010
É mesmo. Esqueci que Brad Pitt estava nesse filme. Grande atuação do Waltz, uma das maiores que já vi. É uma promessa tardia de Hollywood (e que deve cumprir).
Lelaq em 09/03/2010
Acho que os festivais de cinema erraram na colocação de Christoph Waltz como coadjuvante. Com Relação ao coadjuvante, De Niros, Al Pacinos,Dustin Hofmans, Jack Nicholsons que se cuidem, pois temos hoje em dia mais um ator de seus gabaritos. Um Austríaco desconhecido por nós do ocidente, porém digno da realiza do faz de contas que é o cinema. Ana Elisa
Ele fez do filme de Tarantino, mais um filme espetacular, com atores dignos de serem por ele dirigido.
E a descoberta de Waltz para o papel do general nazista, sendo ele alemão, mostra toda a irreverência com que Tarantino trata seus sucessos, ou melhor filme.
Francisco Russo em 09/03/2010
Ana, na verdade os festivais fizeram o correto. Em Cannes, onde "Bastardos Inglórios" foi exibido, Christoph Waltz recebeu o prêmio de melhor ator. Nas premiações anuais é que ele concorreu nas categorias de ator coadjuvante, mas esta decisão cabe aos produtores do filme. Que com certeza fizeram esta escolha por crer que seria mais fácil que ele vencesse nesta categoria, ao invés de ator principal.
Marcos Josian em 10/03/2010
O Tarantino ele é praticamente um domador de atores, ele consegue fazer o que os outros não conseguem, veja o que ele fez com o Travolta em Pulp Fiction. Vocês concordam?
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