14-02-2010 por Fátima Lacerda 0
O diretor Esmir Filho (foto) apresenta seu filme Os Famosos e os Duendes da Morte na seção Generation14 Plus, da Berlinale. O filme foi exibido hoje pela primeira vez e nos dias 16 e 18 haverão outras projeções.
Muito simpático e comunicativo, Esmir Filho mora atualmente em Berlim e diz gostar muito do inverno na capital, além de se sentir inspirado por ela.
ADORO CINEMA: Você está apresentando o teu filme aqui no Festival de Berlim. Vou começar perguntando bem simples: como está sendo esta experiência para você?
ESMIR FILHO: É muito especial o Festival de Berlim porque, na verdade, a gente apresentou o projeto do longa há dois anos atrás no Co-production Market, que é uma plataforma pra buscar parceiros com interesse em financiar os filmes. Nós conseguimos um produtor francês. Isto foi muito bom. Já tinhamos participado do festival como projeto e foi muito legal voltar como filme. Ainda mais nesta seção na Generation14 Plus, que lança um olhar sobre o adolescente hoje. Tem tudo a tudo a ver com o longa. Eu gostei muito e fiquei muito feliz de ter sido selecionado para Berlim. Para esta seção exatamente, que eu acho que é a cara do filme, mesmo.
AC: A seção Generation tem ganho nos últimos anos um enorme respaldo pela qualidade dos filmes. A história do fã do Bob Dylan é totalmente independente da proveniência geográfica. Tudo é um contexto global. O que na realidade me impressionou é que a temática apurada por voce é como uma linha que passa toda pelo festival, independente de qualquer proveniência: qual é o meu lugar? Quem sou eu? O questionamento sobre formas alternativas de vida. Tem alguma coisa biográfica nesse filme?
EF: Eu, como qualquer um na adolescência, tive um momento em que a gente tem que se descobrir. É um momento que a gente descobre, que nem imagina. Estes sentimentos vêm à tona. O que eu gosto de fazer? Do que eu realmente gosto? Nós trabalhamos com projeções. Por exemplo, eu sou de um jeito com os pais, eu sou de um jeito no trabalho, enfim de alguma forma a gente sempre acaba se adaptando a uma sociedade e eu acho muito interessante o papel da internet hoje em dia. Eu peguei a internet na minha adolescência e é justamente isso. Agora é real. Eu posso ser outra pessoa, eu posso criar outra forma de pensamento. Eu posso ser até mais eu na internet. protegido pela tela, do que na vida real. Esta é a dicotomia do filme: o ser real x o ser virtual. O quão real é o meu eu virtual? Pra crescer você deixa coisas pra trás. Você perde, você vive pequenas mortes, que é o nome do filme também. Isto acaba fazendo com que você só aprenda, que você só cresça. O protagonista do filme acessa o mundo através da internet. Você falou como eles vêm fazendo a seleção cada vez mais worldwide... Com a internet hoje em dia, não há fronteiras. Eu acesso, eu estou. Eu tenho meus amigos de fora. Eu posso ser tão ou mais amigo de alguém daqui da Alemanha do que aqui da minha própria cidade. É isso. Num momento que a gente sofre ainda com questões de territoralismo e ainda há guerra por causa disto, tem uma coisa paralela rolando, que é uma outra realidade, uma realidade virtual, em que você acessa tudo. Um território onde não há lei. E nã há lei mesmo. Você digita e vem tudo pra você. Você tem o acesso. Aí vem a questão do filme: o quão perigoso pode ser isso. Aonde vamos? O que é real? A internet me dá tudo o que eu preciso. A princípio o filme começa assim. Depois é descutindo "será que é só isso? Pode ser, mas eu preciso do toque, eu preciso do afeto. Eu preciso estar próximo também. Eu acho que essa é a leitura que o filme dá. Ele mostra uma geração que vive na internet. Os adolescentes que habitam na internet. Quando eu digo habitar é porque é vida pessoal ali. Tudo o que eles querem, tudo o que eles sentem, colocar em foco o modo em que eles veem o mundo, com vídeos. É um modo de buscar uma voz. Pra mim é uma coisa muito louca o que está acontecendo, uma revolução virtual, mesmo. De alguma forma o filme aborda isso. Eu vejo isso acontecendo.
AC: Por que Mr. Tambourine, como música?
EF: Bob Dylan é um simbolo de mudança. Ele partiu da cidade dele para poder ser quem ele é. E ele desde então vem se reinventando e o filme fala sobre isso, se reinventar. Eu acho que o filme tem toda uma conversa com esta música. É justamente o fato que todo adolescente está esperando alguém: toca uma música pra mim e me leva pra outro lugar. O adolescente tem essa coisa: "Aqui não. Me leva pra outro lugar". A música tem um tom muito onírico que é o tom o filme. Bob Dylan é o ídolo de muitas gerações, inclusive hoje por adolescentes, por causa também da internet. Eu queria fazer essa conversa com Boy Dylan. Eu queria fazer o diálogo, mostrar que existe uma conversa. Existe uma viagem no tempo. Assim como a cena que começa no vinil da menina, viaja pela cabeça do menino até chegar ao computar. Olha só a viagem que essa música já fez?
AC: Assim que o casal alemão apareceu na tela, o clima na plateia ficou totalmente diferente. Houve um acesso do público alemão por causa da língua.
EF: Você vai entendendo que existe uma coisa muito forte ali. O Ismail é autor do livro, mora na região e sempre fala que o alemão não existe mais aqui, sempre foi a língua de segredos dos mais velhos. Os mais velhos para que os meninos não entendam. Aquela cena pra mim é o gap. Existe um gap de geração ali. Existem os avós que ainda trabalham na terra, que ainda vivem naquela casa e existe um menino que acessa a internet e nem sabe falar a língua dos avós. Pra mim a cena do avô com o menino não tem fala entre os dois. Os dois só se olham. Aquilo é muito importante, do tipo: como eu me conecto a você? Acho que o menino está falando de conexão o filme inteiro. Talvez por isso ele vá buscar o afeto que o toque é, algo que, sem palavras, se conecte. Internet é só palavra. Tela fria, distância. E depois é só toque, sensação e emoção.
AC: Esta temática para Geração 14 Plus é muito profunda. Você tinha algum receio de que a plateia não consiga alcançar a temática?
EF: Acho que o filme permite leituras. Eu já passei por vários festivais e tive pessoas de várias idades vindo conversar comigo. Existem os meninos de 16 e 17, que se encantaram muito com o filme. Você não precisa explicar pra ele o que é um blog, como se acessa um vídeo do YouTube. Eles vivem isso. As pessoas que estão mais desantenadas com a internet tem um pouco mais de dificuldade, mas pegam outra coisa: fala sobre a família, fala sobre a região alemã, fala sobre a relação mãe e filho. Então, de alguma forma, com o seu tom de viagens e da proposta musical e de som, o filme permite várias interpretações. Uma menina uma vez chegou e falou pra mim: "Eu não sei se eu entendi, mas eu gostei muito". Pra mim foi incrível e eu disse: "É isso, eu queria passar um sentimento pra você. Não se preocupa se isso aconteceu ou por que aconteceu. Este filme é pra viver perguntas. Eu não tô aqui querendo apontar respostas prontas pra ninguém. Eu confio na sensibilidade dos espectadores e não quero subestimar os mais jovens, porque eles já acessam muitas coisas. Talvez seja um teste até, pra ver o que vai rolar.
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Fonte: Adoro Cinema
Um dos melhores filmes de romance que já assisti! Muito massa. Uma história e tanto. Eu e...
por mettallero, 15/02/2012 às 16:21
... MUITO inferior ao primeiro. É óbvio que o primeiro filme é cheio de cenas "forç...
por Leo290385, 15/02/2012 às 16:02
Eu particularmente sou fã da Rachel, espero que o filme seja bom!
por Debbie, 15/02/2012 às 15:42
Ótimo filme,realmente nós mães e pais não medimos esforços por nossas crias, e o filme ...
por Debbie, 15/02/2012 às 15:39